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Dezembro não se fecha em dezembro

há 3 dias
2 min de leitura

Todo ano a cena se repete. Lá pela metade de novembro, o músico percebe que dezembro está chegando, abre o WhatsApp e começa a oferecer data para as casas onde já tocou. A resposta vem quase igual em todas, a programação de fim de ano já está fechada, e a conversa termina ali.


Não é má vontade do contratante. Confraternização de empresa, as sextas cheias antes do Natal e o réveillon estão entre as noites que mais pesam no caixa de um bar ou restaurante, e nenhuma casa organizada deixa essas datas para a última semana, porque precisa divulgar, vender reserva e alinhar produção com antecedência.


O resultado é uma inversão que pouca gente enxerga. Quem se movimenta em setembro escolhe onde quer tocar, negocia formato e cachê com calma e ainda encaixa datas próximas para economizar deslocamento. Quem se movimenta em novembro aceita o horário que sobrou, na casa que sobrou, pelo valor que sobrou.


Existem três movimentos que valem para esta semana, e nenhum deles depende de talento. O primeiro é revisar o material, com presskit atualizado, vídeo recente de palco e rider técnico, porque o contratante compara você com outros dois antes de responder. O segundo é mapear quem contrata para fim de ano, começando pelas casas onde você já tocou e pelas que recebem evento corporativo e social.


O terceiro é trocar o "estou disponível em dezembro" por uma proposta concreta, com datas, formato e duração do show. Disponibilidade genérica obriga o contratante a pensar por você, enquanto proposta específica só pede um sim ou um não, o que encurta a negociação.


Dezembro também é vitrine. Um show bem entregue numa confraternização coloca você diante de gente que organiza eventos o ano inteiro, e esse contato vale mais do que o cachê daquela noite, desde que exista acompanhamento depois, com mensagem para quem contratou e proposta para a próxima data.

 
 
 

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