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O próximo show se fecha nas 48 horas depois do último

29 de set.
3 min de leitura

Para boa parte dos músicos, o trabalho acaba quando o equipamento volta para o carro. O show foi entregue, o cachê foi acertado e a atenção passa para a próxima data da agenda, se ela existir. O problema é que esse costuma ser justamente o momento em que a próxima contratação está mais perto de acontecer, e quase ninguém aproveita.


Nas 48 horas seguintes à apresentação, o artista ainda é o assunto da casa. O dono ou o gerente tem o resultado da noite fresco na cabeça, sabe como foi o movimento, quanto o salão consumiu e em que horário a pista encheu. O público ainda comenta nas redes, e o próprio músico tem material novo nas mãos. Passada essa janela, a noite se mistura com as outras da grade e o artista volta a disputar espaço com todos os que mandam mensagem oferecendo data.


O contratante guarda o resultado, não o nome

Quem programa música ao vivo em bar ou restaurante fecha várias atrações por mês e raramente memoriza quem tocou em cada noite. O que fica registrado é o efeito no caixa e no salão: se a casa encheu, se o som começou na hora, se o público permaneceu ou pediu a conta mais cedo. Quando o artista não aparece enquanto essa lembrança ainda está viva, a vaga seguinte tende a ir para quem fez contato primeiro, e não necessariamente para quem entregou a melhor noite.


Registro, contato e proposta

O procedimento que resolve isso é simples e pode ser dividido em três etapas. A primeira é o registro: separar fotos e vídeos no mesmo dia, antes que o material se perca no celular de quem filmou, porque um vídeo com a casa cheia apresenta o artista melhor do que qualquer texto de apresentação.


A segunda é o contato com o responsável pela casa, de preferência trazendo um dado concreto da noite, como o horário em que a pista lotou, a música que segurou o público ou o pedido de bis. Uma mensagem genérica de agradecimento se perde entre dezenas de outras no WhatsApp do contratante, enquanto um dado específico mostra que o artista acompanhou o resultado da casa, e não apenas o próprio desempenho.


A terceira etapa é a proposta. Antes que a programação do mês seguinte seja fechada, o artista oferece uma nova data, seja em formato de recorrência mensal, seja em outro dia da semana ou com outro formato de show. É o que tira a carreira da lógica do convite e a coloca na lógica da agenda.


Recorrência gera previsibilidade

Show avulso resolve o mês, mas é a recorrência que organiza o ano. O artista que tem casas fixas na agenda consegue prever o faturamento antes de o mês começar, planejar investimentos em equipamento, material e divulgação, e negociar com mais tranquilidade, porque não depende do próximo convite para fechar as contas. É a mesma lógica que já discutimos aqui ao mostrar que o seu cachê de hoje foi definido pelo último show que você aceitou: o que acontece depois do palco pesa tanto quanto o que é entregue em cima dele.


Na prática, o que trava a maioria dos músicos não é falta de vontade, e sim falta de estrutura. Depois de um sábado de show, o domingo vira descanso, a segunda-feira traz outras demandas e, quando o artista lembra de retomar o contato, a semana já passou. Por isso o pós-show não pode depender de memória: precisa ser rotina, com responsável e prazo definidos.


É esse tipo de processo que a NOSSA. organiza para os artistas do casting, tratando material, relacionamento com o contratante e agenda como operação, e não como favor. Se a sua agenda ainda depende de alguém lembrar de você, faça parte do casting.

 
 
 

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