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As cinco funções que ninguém ensaia

Existe uma conta que quase nenhum artista consegue fechar na hora em que perguntam. Quanto sobrou do último show, depois de tudo pago. A resposta some porque o cachê chega inteiro na conta e sai picado ao longo da semana, sem ninguém registrando onde foi parar. É por isso que o segundo emprego, aquele que a maioria trata como sinal de carreira travada, quase nunca é o gargalo real. O que trava é outra coisa: existem cinco funções que a carreira exige todo mês e nenhuma delas se resolve ensaiando.


A primeira é precificação. Cachê não é lucro, e a diferença entre os dois mora em deslocamento, equipe, equipamento, ensaio, imposto e o tempo que você gastou negociando a data. Quem nunca calculou custo por show não consegue saber se aceitou uma boa proposta ou se pagou para trabalhar, e por isso costuma responder valor no chute, ancorado no que o vizinho cobra em vez do que a própria operação custa. A segunda é contrato. Data fechada no combinado funciona enquanto nada dá errado, e o problema aparece justamente quando dá: cancelamento em cima da hora, pagamento que atrasa trinta dias, estrutura prometida que não estava no papel.


Contrato não existe para desconfiar do contratante, existe para que os dois lados saibam o que foi acordado quando a memória divergir.


A terceira é agenda. Agenda reativa é a que se preenche com o que aparece, e ela sempre produz o mesmo desenho: meses cheios seguidos de meses vazios, e concentração perigosa em uma casa só. Quando essa casa muda de programação, some metade do faturamento de uma vez. Agenda construída trabalha ao contrário, olhando sessenta a noventa dias à frente, distribuindo datas entre casas diferentes e protegendo o artista de depender de um contratante único.


A quarta é negociação, e aqui a assimetria é evidente. O dono de bar negocia atração toda semana, o ano inteiro. O artista negocia poucas vezes por mês, quase sempre sozinho, quase sempre com pressa de garantir a data. Não é questão de esperteza, é questão de repetição: quem faz mais vezes negocia melhor. A quinta é posicionamento, que decide quem liga para você. Sem definição clara de formato, repertório e tipo de casa, você fica sendo chamado para tudo e lembrado para nada, o que puxa o valor para baixo com o tempo.


Nenhuma dessas cinco melhora com mais ensaio. Elas melhoram com alguém sentado nelas todos os dias, seja você mesmo estudando negócio com a mesma seriedade com que estuda instrumento, seja uma estrutura ao seu lado fazendo essa parte enquanto você toca. Se você fecha show todo fim de semana e ainda não sabe quanto sobra, o problema não está no seu set. Conheça o trabalho da NOSSA. com artistas e acompanhe a Mentoria Backstage, ao vivo no YouTube toda segunda às 20h.

 
 
 

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