Trabalhar fora da música não é o que trava a sua carreira
- Jonas de Paiva
- há 1 dia
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Todo artista que ainda não vive de música tem um segundo trabalho, e isso costuma ser tratado como fracasso silencioso. Quem dá aula, quem vende no balcão, quem faz freela em outra área carrega a sensação de que a carreira só começa de verdade quando o emprego acabar. A trajetória da Anitta desmonta essa leitura de um jeito bem direto: antes dos palcos, Larissa de Macedo Machado fez curso técnico de administração, estagiou na mineradora Vale, trabalhou como vendedora numa loja de roupas para conseguir comprar as roupas que usaria no próprio estágio e chegou a dar aula de dança. Nada disso é história de superação. É a rotina normal de quem constrói carreira antes de a agenda pagar as contas.
O detalhe que quase ninguém observa é o que ela levou embora quando pediu demissão. Ela não saiu do emprego apenas com coragem, saiu com repertório de gestão. As aulas de marketing que teve dentro do curso de administração viraram ferramenta de trabalho, e é por isso que, quando a chamam de caso de marketing, ela recebe como elogio e responde que o marketing é dela mesma. O emprego fora da música não atrasou a carreira dela. Financiou a carreira e ainda entregou a parte que faltava.
Aqui mora a diferença que interessa para quem lê este texto. Ela chegou na música já sabendo fazer as duas coisas, e a maioria dos artistas não chega. O músico médio acumula função sem nunca ter estudado nenhuma delas: precifica no chute porque nunca calculou custo de show, fecha data sem contrato porque sempre foi no combinado, monta agenda sem calendário porque aceita o que aparece, e negocia sozinho com um contratante que negocia atração toda semana. O resultado aparece no extrato, não no palco. Toca bem, agrada a casa, sai aplaudido e mesmo assim não consegue dizer quanto sobrou no fim do mês nem onde vai tocar daqui a sessenta dias.
Talento nunca foi o gargalo dessa conta. Repertório resolve o show, gestão resolve a carreira, e são disciplinas diferentes que quase nunca moram na mesma pessoa.
Enquanto o artista assume as duas ao mesmo tempo, uma delas sempre entrega menos, e normalmente é a que ninguém ensaia. Existem só dois caminhos honestos a partir daí: estudar negócio com a mesma seriedade com que se estuda instrumento, como ela fez, ou colocar ao lado quem já faz isso todos os dias. O que não funciona é seguir tocando e torcendo para a próxima indicação aparecer.
Se você toca todo fim de semana e ainda não sabe quanto sobra, o problema não está no seu set. Conheça o trabalho da NOSSA. na página para artistas e acompanhe a Mentoria Backstage, ao vivo no YouTube toda segunda-feira às 20h, onde essa parte do jogo é aberta sem rodeio.




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